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A Pandemia e o Recomeço

  Imagem de  marcinjozwiak por Pixabay Me embriaguei com a vida e sorri, pelo simples fato de poder viver. O Mundo não é mais o mesmo depois que um vírus se espalhou e matou milhões de pessoas no mundo; muitas vidas se foram, inclusive aquelas que marcaram uma geração. Serei sempre grato a Deus por ainda estar aqui e poder saborear o prazer de viver, mas ficará a saudade de quem se foi. Se você está lendo isso aqui é porque também está sobrevivendo a esse ciclo sóbrio da humanidade em que mais perdemos do que ganhamos, em que o luto estava em todos os lares. Entenda que, como num ciclo, tudo se renova, mesmo que nunca mais volte a ser o mesmo que antes. Ainda temos a chance de recomeçar.

Por Ser Saudade

Foto de StockSnap por Pixabay É por ser saudade, o sentimento que me laça, Que mais uma vez eu me encontro aqui Desejando o seu longo e caloroso abraço. É por ser saudade, que talvez eu me desfaça, Entregue e protegido entre os seus braços, De tanto chorar de felicidade e depois sorrir. Pois é dentro do abraço que apertamos os laços, Nos sentimos mais seguros e mais firmes Enquanto o Mundo a nossa volta continua a ruir. Era por ser saudade, que meu peito apertava E eu mal respirava isolado em meu quarto Sem esperanças no olhar e sem ter para onde ir. Agora caminho mundo a fora, com abraços a toda hora. Motivos não me faltam, muito menos esperança, Para acreditar novamente na vida e prosseguir.

Essencial

Foto de Katerina Holmes de Pexels Desloco-me em pensamento; Força interna, anseio máximo De não fazê-la sentir-se só. A saudade, como ácido gástrico, Causam-me úlceras, refluxo e nó Em meu peito fragilizado e abalado, Mas por ti resiste ferozmente meu coração. Para suportar as tantas mazelas, Coloco-me, em espírito, ao seu lado Segurando-lhe fortemente a mão. Pela força impetuosa do rígido destino Permanecemos em distanciamento. Apesar desse pesaroso e inesperado fato, Que está, insistentemente, a nos inibir, Amo-te como nunca. Esse desatino Faz intensificar, fortificando-me no coração, O amor verdadeiro, essencial e distinto Que estou nutrindo por ti. Que dele possa emanar a força Capaz de faze-la lutar e resistir A esses tenebrosos tempos, Até que a vida volte-nos a ter graça E nossos lábios voltem a sorrir.

Viajante do Tempo?!

Indago-me ainda em confusão: -Em que ano acordei-me esta manhã? Vago confuso em meio a sublevação Que criou-se contra uma vacina. Onde estão Oswaldo Cruz e Pereira Passos? Entranho pois ainda ontem em afã Procurava em meio a uma multidão De incrédulos e revoltos terraplanistas, O destemido fidalgo português Fernão, Que fez a primeira circunavegação Trazendo-nos a estupefata notícia: - A Terra é redonda!! Tive minha comprovação. Serei de fato um viajante no tempo? Ou serão os tempos em distúrbios loucos? Receoso estou-me em acordar, Nas manhãs inesperadas que virão, E encontrar homens neandertais Canibalizando uns aos outros. 

Saúde Pública

Repousando em meu leito, Por uma pequena janela  De um apertado quarto hospitalar, Observo o céu estrelado E dói em meu peito A tosse seca que me lembra; "estou condenado." Não há medicamentos, O dinheiro da saúde foi desviado. Não há como me tratar. Conforme a noite avança A tosse aumenta, Ninguém se atenta Ao meu chamar. Depois de algumas preces Uma enfermeira aparece E diz: só temos que esperar, Não ha muito o que fazer. Ela lavou as mãos. Na manhã seguinte um leito vaga E é ocupado por outro paciente Das dezenas que aguardam Um leito, deitados no chão. - Kaique Cavalcante