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| Foto de Enrique Lopez Garre por Pixabay. |
Breno acordou cedo com sua mãe dizendo-lhe estar atrasado para a prova. Assustado ele olhou para o relógio na cabeceira da cama; marcava 06:40. Breno tinha 20 minutos para chegar na faculdade, a prova começava as 7h em ponto.
Na noite passada Breno dormiu tarde. Ele é cinéfilo e tudo o que ele mais ama é ver filmes. Era 1:40 da manhã, ele havia acabado de assistir o filme O Tigre Branco, baseado no Best Seller do The New York Times, e se preparava para dormir quando um corvo pousou em sua janela e começou a crocitar. Em sua memória veio a série Vikings, Produzida pela Amazon Prime Videos e a History, em que os corvos traziam mensagens do deus Odin. Breno levantou-se da cama e curiosamente foi até a janela e abriu-a. O Corvo entrou subitamente no quarto, assustando-o, passou pela porta, desceu as escadas em um vôo feroz até a cozinha. Breno perseguiu-o ainda assustado com a atitude do corvo. Ao chegar na cozinha encontrou-o sobre o balcão arrancando pedaços de uma cenoura que estava por alí. Receoso que ele devorasse as outras leguminosas que estavam sobre o balcão, tentou impedi-lo e o corvo assustado voou corvejando alto, derrubando alguns utensílios de cozinha que também estavam sobre o balcão. Como num truque, o corvo desapareceu na escada com a cenoura em uma de suas garras. Breno procurou-o em cada cômodo, mas não o encontrou. Talvez ele já estivesse bem longe dali. De repente um barulho veio do quarto de sua mãe. "Ela deve ter acordado com o barulho" pensou ele. Ao chegar no quarto de sua mãe, Breno viu sobre ela, o corvo despedaçando a cenoura no cobertor deixando-o imundo. Sua mãe ainda dormia. Breno tentou espanta-lo de longe sem acorda-la, mas o corvo não se movia, apenas o observava. Ele se aproximou mais e fez um movimento brusco que o espantou. O corvo voou para uma cômoda e derrubou os brincos de argolas de sua mãe e um porta-retrato em que Breno aparecia ainda criança sobre uma cela a cavalgar com sua mãe. Breno já explodia em raiva. Sem pensar pegou uma pantufa que estava ao pé da cama e jogou-a em direção ao corvo que agilmente escapou em direção ao quarto de Breno. A mãe de Breno acordou assustada e perguntou o que estava acontecendo. Breno permaneceu estático sem saber o que dizer e pensou “faz de conta que está sonâmbulo”, e assim fez. Sua mãe, percebendo que ele estava sonâmbulo como de costume, levou-o para cama e beijou-o carinhosamente desejando-o boa noite. Notando a janela aberta fechou-a, desligou a tv e retornou para o quarto dela para dormir. Breno, com os olhos entre-abertos, viu sua mãe sair. Percebendo que estava só, sentou-se na cama e observou em volta. “Parece que ele foi embora” pensou ele e depois se deitou para dormir, porem a adrenalina em seu corpo o fez demorar a pegar no sono, mas por fim ele adormeceu.
Na manhã seguinte Breno estava atrasado e seguia a bordo de um ônibus em direção a faculdade. Ele não havia escutado o despertador tocar, tamanho era o sono que sentia. "Maldito corvo" pensou. Ele notou que algo estranho acontecia na estrada; um acidente grave havia fechado uma das pistas. Ao passar pelo exato local do acidente, Breno viu os veículos que se envolveram no acidente; o motorista de um caminhão havia perdido o freio e a direção e colidido com um ônibus deixando vários mortos. Era o ônibus que Breno pegaria se não tivesse perdido a hora. Breno ficou perplexo.
Em sua casa, a mãe de Breno pegou o porta-retrato que estava caído sobre a cômoda, observou carinhosamente o seu filho ainda criança cavalgando com ela e colocou-o no lugar ainda sem saber de onde vinham aqueles pedaços de cenoura em seu lençol. Sobre o guarda-roupa o corvo a observava curiosamente.

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